CUBE Inteligência Política
01 de Abril de 2026
ESTRATÉGICO-CONFIDENCIAL
01 — TESE CENTRAL
Não houve ruptura no campo governista. Houve coreografia.
A saída de Curi do PSD, a entrada de Cristina Graeml, a desincompatibilização de Greca e o descarte de Guto Silva não são eventos isolados — são movimentos coordenados de uma operação de ocupação multi-partidária conduzida por Ratinho Jr. O que parece fragmentação na superfície é expansão territorial nos bastidores.
E enquanto o tabuleiro do Governo ganha atenção, o Senado — o verdadeiro prêmio — está numa disputa muito mais aberta e perigosa do que qualquer ator público admite. A narrativa de "vagas garantidas" não sobrevive a uma análise cruzada dos dados.
02 — TABULEIRO
Ratinho Jr. está posicionando peças em múltiplos partidos para controlar o campo inteiro antes das convenções.
Peça 1 — Republicanos
Alexandre Curi
Governo
Articulador do interior — apoio declarado de 189 prefeitos aliados de diversos partidos (lista informal chega a 215).
Peça 2 — MDB
Rafael Greca
Governo
Base urbana Curitiba — 2.º nos melhores cenários (10-19,7%), desincompatibilizou-se da Sedest.
Peça 3 — PSD
Cristina Graeml
Senado
Captura voto conservador/bolsonarista — compete diretamente com Filipe Barros e Deltan.
Peça 4 — PSD
Guto Silva
Vice-governador
Descartado para governo, reposicionado.
Peça 5 — PSD
Eduardo Pimentel
Reserva 2030
Permanece prefeito de Curitiba — controla máquina da capital no dia da eleição.
Achado-chave
Curi declarou em coletiva (31/mar) que sua saída do PSD "foi construída em conjunto com o governador Ratinho Junior" e que "não representa rompimento, mas reposicionamento dentro do mesmo campo político".
03 — GOVERNO
Capital territorial — 189 prefeitos aliados assinaram manifesto (lista informal: 215). 6 mandatos, 237K votos em 2022, domina a máquina legislativa.
Fraqueza: 11-15% nas pesquisas (15,2% na IRG, 11,3% na Paraná Pesquisas) — precisa de transferência massiva.
10-19,7% nas pesquisas (19,7% na IRG, 19,1% na Paraná Pesquisas, 10,1% na Neokemp), 2.º lugar nos melhores cenários. Nome conhecido em Curitiba. Narrativa de "gestor que entrega obra".
Fraqueza: 70 anos, resistência interna no grupo Ratinho.
dos paranaenses dizem que apoiarão o candidato que Ratinho indicar
— Folha de CuritibaAnálise: Moro é mais vulnerável no interior, onde perdeu 48 prefeitos do PL e não tem capilaridade. Curi é mais forte justamente ali. Isso favorece Curi.
04 — MORO
Pesquisa de março em ano eleitoral é fotografia, não profecia.
Indicador 1
Gap Estimulada vs. Espontânea
33-42pp
40-48% estimulada vs. 5,9-7,4% espontânea. Gap de 33 a 42pp. Reconhecimento de nome, não vínculo.
Indicador 2
Precedente ACM Neto (Bahia 2022)
-10 a -15pp
Cenário estruturalmente similar: governador popular (~65% aprovação) apoiando sucessor. ACM Neto liderava mas fez 40,8% no 1T — queda de ~10-15pp. Aplicando a Moro: de 42% para 27-32%.
Indicador 3
Perda de Capilaridade
48/53
48 de 53 prefeitos do PL saíram. Dinheiro e TV sem prefeitos = publicidade sem conversão em voto.
Moro filiou-se ao partido de Valdemar Costa Neto (condenado no Mensalão). O juiz anticorrupção no partido da corrupção. Quando essa contradição chegar à campanha, gera desconforto cognitivo no eleitor de centro.
05 — SENADO
4.1 — Álvaro Dias: O Que as Pesquisas Não Mostram
Os 49,6% merecem cautela. O cenário completo conta outra história.
| Instituto | Deltan no cenário? | Álvaro Dias |
|---|---|---|
| Paraná Pesquisas (mar/26) | NÃO | 49,6% |
| Paraná Pesquisas (jan/26) | NÃO | 47,5-52,2% |
| IRG Pesquisas (mar/26) | SIM | 17,5% (1.º voto) |
| 100% Cidades/Futura (jan/26) | SIM | 20,5-21,1% |
Deflação crítica
Sem Deltan: 43-52%. Com Deltan: 17-21%. Deflação de 25 a 35 pontos. A Paraná Pesquisas nunca incluiu Deltan nos cenários — e é contratada pelo PL.
Precedente 2022
Véspera (Ipec): 41% em votos válidos (35% intenção total). Urna: 23,94% — 3.º lugar. Deflação real: -11pp.
Vulnerabilidades: 81 anos, 14,7% rejeição (2.ª maior), 7+ mandatos, 0,9% na espontânea.
Paradoxo Deltan
Álvaro não herda se Deltan for barrado — votos migram para Filipe (+16pp) e Graeml (+9pp), não para Álvaro.
4.2 — A Disputa Real do Senado
| Candidato | IRG — 1.º Voto | Posição |
|---|---|---|
Deltan Dallagnol (Novo) |
19,5% | 1.º |
Álvaro Dias (MDB) |
17,5% | 2.º |
Gleisi Hoffmann (PT) |
16,0% | 3.ª |
Alexandre Curi (Rep.) |
13,5% | 4.º |
Cristina Graeml (PSD) |
10,0% | 5.ª |
Filipe Barros (PL) |
9,0% | 6.º |
A 2.ª vaga está completamente aberta. A 1.ª vaga também não é garantida.
4.3 — A Jogada Graeml
Paradoxo para Moro/PL
Se atacam Graeml, alienam eleitor conservador. Se não atacam, ela cresce. Checkmate narrativo.
4.4 — Cenários do Senado
Cenário A: Deltan ELEGÍVEL
| Cenário | Vaga 1 | Vaga 2 | Fora |
|---|---|---|---|
| Otimista Gov. | Graeml (28-35%) | Deltan (22-30%) | Filipe, Álvaro, Gleisi |
| Equilibrado | Deltan (28-35%) | Graeml (25-30%) | Filipe, Álvaro, Gleisi |
| Pessimista Gov. | Deltan (30-38%) | Gleisi ou Álvaro (20-27%) | Graeml, Filipe |
Cenário B: Deltan INELEGÍVEL
| Cenário | Vaga 1 | Vaga 2 | Fora |
|---|---|---|---|
| Otimista Gov. | Graeml (33-38%) | Filipe Barros (28-33%) | Álvaro, Gleisi |
| Equilibrado | Filipe Barros (33-38%) | Graeml (30-35%) | Álvaro, Gleisi |
| Pessimista Gov. | Filipe Barros (35-40%) | Gleisi (27-29%) | Graeml, Álvaro |
Insight
A elegibilidade de Deltan é a variável mais impactante do Senado. Se inelegível, Filipe Barros herda +16pp e se torna franco-favorito à 1.ª vaga — e o campo governista depende inteiramente da performance de Graeml.
4.5 — O Fator Gleisi
Teto eleitoral
~30-33%
Rejeição de 46,6-53,4%. Teto teórico de ~30-33%. Já está em 27-29% nas melhores pesquisas. Margem de crescimento mínima.
Gap atual
6,1pp
Atrás da 2.ª vaga no cenário sem Deltan. Distância significativa, mas não intransponível.
Quando perigosa
<28%
Se Graeml estagnar abaixo de 28%, Gleisi se torna competitiva pela 2.ª vaga. A contenção de Gleisi depende diretamente da performance de Graeml.
06 — IMPORTÂNCIA ESTRATÉGICA
Governo dura 4 anos. Senado dura 8. O STF dura 30.
| Composição | Cenário | Impacto |
|---|---|---|
| Graeml + Deltan | Otimista governista | Campo governista garante 1 vaga no Senado; Deltan como voz independente da direita. |
| Graeml + Filipe Barros | Direita com 1 gov. | Ambas as vagas à direita, mas campo governista presente via Graeml. PL com 1 voz. |
| Filipe + Gleisi | Pessimista governista | Campo governista fica de fora. Bancada dividida entre extremos por 8 anos. |
| Filipe + Deltan | "Chapa Lava-Jato" | PL/Novo monopolizam as 2 vagas. Máxima tensão institucional. |
Nenhuma vaga está garantida. A composição do Senado paranaense definirá o equilíbrio de poder federal do estado por quase uma década.
07 — CENÁRIOS PREDITIVOS
Campo governista unifica (Curi ou Greca) + PP+UB alinha. Ratinho transfere apoio.
| Candidato | Março | Outubro | Motor |
|---|---|---|---|
| Governista unificado | 15-20% | 40-48% | Transferência Ratinho (70%) + campanha + prefeitos + PP+UB |
Moro (PL) | 40-48% | 27-34% | Deflação (precedente ACM Neto ~10-15pp) + sem capilaridade + paradoxo Valdemar |
Requião Filho (PDT) | 17-26% | 14-20% | Espremido |
Curi e Greca insistem em ser cabeça. Ratinho não arbitra.
| Candidato | Outubro |
|---|---|
Moro | 35-42% — vence no 1T |
Curi | 18-23% |
Greca | 12-16% |
Evento inesperado altera fundamentalmente a corrida: decisão judicial sobre Deltan com efeito cascata, crise econômica nacional, escândalo envolvendo candidato líder ou ruptura real entre Ratinho e PSD. Imprevisível por natureza, mas a probabilidade composta de "algum cisne negro" é relevante.
Curi redireciona para o Senado se pesquisas não decolarem. Greca assume como candidato ao Governo. Curi disputa vaga no Senado onde sua capilaridade interior é ainda mais decisiva — e libera o Governo para um perfil mais urbano.
08 — MONITORAMENTO
| Indicador | Limiar de Alerta | Prazo |
|---|---|---|
| Ratinho sinaliza preferência (Curi vs. Greca) | Se não decidir até junho → risco de fragmentação | Abr-Jun |
| PP+UB formaliza alinhamento | Se neutra → campo perde ~7-10pp de swing | Abr-Mai |
| Pesquisa pós-reorganização com TODOS os nomes no Senado | Se Álvaro fica abaixo de 20% → fragilidade do eleitorado confirmada | Mai-Jun |
| Gap estimulada-espontânea de Moro | Se cair para <20pp → consolidação real (alerta) | Mensal |
| Elegibilidade de Deltan (TSE) | Se elegível → fragmenta direita, abre espaço para Graeml. Se inelegível → Filipe salta para 33% | Jun-Jul |
| Graeml cresce no Senado | Se abaixo de 28% em julho → risco de Gleisi ultrapassar | Mensal |
09 — SÍNTESE FINAL
Governo
Coreografia, não caos
O campo governista está melhor posicionado do que aparenta. A coordenação Ratinho-Curi revela estratégia onde a mídia vê caos. Moro lidera pesquisas, mas tem altura midiática sem profundidade territorial. A decisão Curi-Greca é a última peça.
Senado
Nenhuma vaga é garantida
A disputa está mais aberta do que os números de superfície sugerem. Os 49,6% de Álvaro Dias caem para 17,5% quando Deltan entra no cenário. A inelegibilidade de Deltan não o ajuda — fortalece Filipe Barros (+16pp) e Graeml (+9pp). Graeml precisa consolidar acima de 30% antes de agosto — abaixo disso, Gleisi com sua base estável de 27% se torna ameaça real.
Conclusão
O jogo está aberto
Quem olha apenas as pesquisas de março vê um cenário definido. Quem cruza os dados vê um tabuleiro em movimento onde nenhuma peça está fixa. As próximas 12 semanas definirão se a coreografia de Ratinho vira vitória ou se o tabuleiro tomba.